28/08/2008 12:32

VIENA 1

QUANDO PERDI A INFâNCIA

Sai de Munique em 59 para ir a Viena. No Aeroporto de Munique tomei meu primeiro Caravelle e fiquei impressionado com a tecnologia ligada à estética de uma caneta Parker 51. No aeroporto, com um amor perdido na Therezien Strasse, deixei também a infância. A adolescência perderia mais tarde, pois no Brasil ela se alonga quase indefinidamente. De fato não estava maduro para o amor de uma mulher. Na amizade você permuta ideais, no amor com uma mulher você troca destino. A família, os filhos e o decorrente trabalho se impõem como a condição de adulto.
Conheci, então, uma Viena feliz e alegre com a reconquista de sua nacionalidade. Os cafés estavam repletos de uma gente que não tinha esquecido os prazeres da vida, apesar dos sofrimentos da guerra. As vitrines resplandeciam com os doces mais elaborados da gastronomia ocidental. Os jovens freqüentavam a Opera como, mais tarde haveriam de freqüentar as discotecas.
A cidade era tão elegante e imperial que nos dava a impressão que a qualquer momento um barão sairia por uma porta para flanar nas calçadas dos palácios.
Falavam alemão, por certo, mas mais parecia uma Alemanha tropical.
Subi na Roda Gigante para viver o clima do TERCEIRO HOMEM, de Graham Greene, filmado por Orson Welles.
Lembro-me que almocei no Palácio do Café, um restaurante de grandes comerciantes, instalado numa espécie de instituto austríaco do café. Desde então a Alemanha e a Áustria não produziam um grão de café, mas já eram seus principais exportadores.
Fiquei impressionado com o Hofburg e o palácio de verão, o famoso Schombrum. Nem percebi o mau gosto exuberante da Gloriette, um barroquismo que deixaria os romanos aterrados. Niemayer só não teria um colapso porque é chegado ao monumentalismo de Estado.
Eu estava em plena adolescência com 27 anos, mas sabia que deveria logo sair dela. Por isso mesmo Viena produziu uma certa euforia na minha tristeza.
Voltei agora, no epílogo dessa interminável adolescência.



enviada por Jorge da Cunha Lima



27/08/2008 12:15

RECOMENDAÇÕES PARA UM VELHO SAIR DA IGNORÂNCIA


EGON SCHIELE - A ALMA EM ESTADO CRÍTICO

O começo o Século XX, em Viena, marca um dos momentos elevados da civilização. Mahler, Freud, Alma, Witgenstein, Klimt, Schiele, entre tantos outros notáveis, conviveram nesta cidade, para afirmar uma arte extremamente consciente do seu vigor e uma alma perplexa diante do inconsciente, revelado por Freud.
Uma passagem, ainda que rápida por Viena, desvenda por completo a nossa ignorância e nos induz a curiosidade à descobertas e reflexões que nos levam de volta ao ponto de partida.
Cada nova descoberta, no campo da arte, é uma iniciação. Já conhecia Egon Schiele de uma exposição no MASP em São Paulo e de dezenas de reproduções que sempre encantaram e me incomodaram. Schiele morreu moço, com 28 anos, na gripe espanhola que também produziu seus danos na Áustria, mas deixou uma das obras mais marcantes da pintura no começo do século XX.
Quase adolescente pintou a casa materna e algumas paisagens urbanas de sua infância. Foi bom ver, ao lado desses quadros, as fotografias dos edifícios pintados. Há nas fotografias uma geografia de exterioridades, impermeável à percepção dos interiores. O pintor, ao quadricular as paredes externas inicia seu processo de penetração. Coloca no exterior as cores fortes do avesso, para fazer a radiografia da alma submersa atrás das paredes. Joga o inconsciente pela janela a fora, como Freud. Tanto na casa materna como no conjunto de prédios que pintou usa o mesmo recurso.
Esse tratamento da pintura de exteriores urbanos se repete quando Egon começa a pintar pessoas. A mãe morta e o recém nascido ou qualquer pintura que fez de homens nus. Os pintores daquela época, em lugar de modelos femininos, como no período clássico, pintaram muitos homens, cuja tristeza do corpo é de uma estética implacável. Nenhuma concessão ao exterior. Cada pedaço do corpo é alma em estado crítico. Inconsciente se transforma na consciência crítica da realidade humana. São os quadros mais tristes que já vi em minha vida. Estão no Leopold Museum, em Viena.


enviada por Jorge da Cunha Lima



25/08/2008 08:43
SAUDADES DO CULTURA ARTÍSTICA

Ainda recentemente o Cultura Artística recebeu a doação de um magnífico STEINWAY, em cujo lado, em lugar da marca do piano, colocaram o nome dos doadores. Mas isso me incomodou , mas não importava, de vaidade em vaidade também se produziram as Variações Goldberg e mesmo a Nona Sinfonia de Beethoven.
Sei que vi e ouvi de tudo na Cultura Artística, embaralhados na memória da terceira idade, mas cujo resíduo é suficiente para embalar meus sábados a noite.
Duas coisas, porém, ficaram nos arquivos do inesquecível, uma a uma, perfilados na mesma eternidade. Cortot e Edith Piaf.
O pianista estava bem pra lá dos oitenta anos. Suas juntas escondiam pedais enferrujados. Na casaca preta, com os ombros dobrados, parecia que ia se depositar sobre o piano, definitivamente. Pois bem. Tocou os prelúdios de Chopin, os estudos, as valsas e as mazurcas. Parece até que lhe escapavam notas. Mas não lhe escapou o sublime. Corrigiu as almas presentes e substituiu a crítica formal pelo gosto universal. Sua alma está por ali, apagando o incêndio.
Baixinha, de preto, com uma rendinha branca no pescoço, mais parecia uma costureira da periferia, ou alguém que estivesse ali para limpar o piano, tal a simplicidade do semblante. Era, em pessoa, Edith Piaf, no Cultura Artística. O resto foi um corpo modesto se transfigurando numa alma exuberante.Voz e linguagem compunham uma mesma estrutura de arte, nunca vistos naquele segmento de espetáculo. Se a tivessem soltado no deserto ela teria cantado daquele mesmo jeito. Pois não foi assim quando a soltaram no inferno...Sua alma também deve estar por ali, atiçando o incêndio.



enviada por Jorge da Cunha Lima



24/08/2008 08:40

COMO SALVAR A ALMA

MARGUERITE D`AUTRICHE

Durante séculos os monarcas se habituaram a edificar templos e monastérios, para salvar a alma ou homenagear pessoas, dotando as ordens religiosas de grandes abadias e igrejas.E mesmo durante a vida imaginavam poder se purificar com o convívio religioso, tanto que nas edificações sempre se reservavam aposentos, próximos dos claustros e dos templos. Por fim eram enterrados nos mesmos, perpetuando-se em jazigos de pedra ou mármore. É provável que algumas legiões de anjos freqüentassem essas tombas para escutar o fino canto gregoriano dos monges
Margarida era filha do Imperador Maximiliano Io de Habsbourg e de Marie de Bourgogne. Como a maioria das princesas austríacas fazia parte daquela corte de comodities, que as exportava para consolidar o poder político do império. Tinham sólida formação cultural e política, como pudemos constatar com Leopoldina, a primeira esposa de D. Pedro I.
Margarida tinha garra. Casou-se três vezes com reis de saúde fraca. Com a morte de seu irmão, Felipe o Belo, responsabilizou-se pela educação de 11 filhos e sobrinhos, todos eles destinados à grandes reinos. Por amor a Philibert, Duque da Savoie, seu último marido e para perpetuá-lo, construiu um dos mosteiros mais belos do século XVI, em BROU, na região de Bourg en Bresse, onde se criam desde Napoleão, os melhores frangos do mundo.
Morta em 1530, Margarida ocupada com Regente dos Países Baixos, depois da morte do irmão, não conheceu o monumento que construiu. Mas ali está até hoje com o bem amado e a sogra, num jazigo de rara beleza, esculpido em despudoradas pedras rococó.
Fez uma Igreja, cujo oratório e seu pórtico, constituem um dos mais belos trabalhos em pedra feitos depois da Idade Média. Edificou ainda três claustros e acomodações individuais para apenas 12 monges agostinianos, coisa difícil de entender numa época em que os monastérios abrigavam centenas ou milhares de monges.

enviada por Jorge da Cunha Lima



23/08/2008 08:40

NA ROTA DO VINHO O ESPÍRITO DA FRANÇA

BOURGOGNE – NA FRANÇA PROFUNDA

Difícil dizer o que é profundo num país. Da França lembro-me de uma famosa fotografia tirada no após guerra. Retrata um jovem casal dando um beijo inesquecível. Naquela foto tínhamos a impressão de que a França se libertara de todas as agruras da guerra. Aquela França sofrida mas recuperada para o amor também era a França profunda.
No centro da França, onde estou, numa casa emprestada numa região da Bourgogne, não a região dos grandes vinhos, mas dos pequenos vinhedos e da criação de gado.
Pequenas capelas e as grandes igrejas medievais nos dão a dimensão de um catolicismo arraigado na pedra e no povo, e mesmo na Abadia de Cluny, destruída pela Revolução Francesa, que vendeu suas pedras para a construção de casas, ainda transparece a hegemonia monástica sobre outros tipos de espiritualidade.A região é pobre e os camponeses trabalham para a sobrevivência. Os chateaux remanescentes contrastam com as pequenas áreas nas quais se criam cabras. Os subprodutos das uvas e desse leite constituem riquezas incomparáveis, o vinho do Bourgogne e o leite de cabra.
As casas, que reuniam residência e tulha num mesmo volume austero, com telhados altos, são de pedra, mas os tempos relativamente modernos induziram os cidadãos a cobri-las com camadas de cimento, porque era mais chic. Hoje, os decepcionados da metrópole, hippies, psicólogos, ecologistas, liberais desiludidos, voltam para a velha Bourgogne, mais especificamente OUGI, e a primeira coisa que fazem nas velhas casas, é raspar o cimento, para que as pedras ressurjam da mais remota antiguidade. E tudo volta a se assemelhar às capelas, às imagens e mesmo ao rosto das pessoas.
A França profunda transparece num silencio transparente e triste.Nem parece que outro mundo possa existir, bem perto dali, no palácio do presidente Sarkosy.

enviada por Jorge da Cunha Lima



15/08/2008 06:26

A DERROTA DE ROGER FEDERER NAS OLIMPÍADAS

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI

Não há nada mais duro do que pular fora do “Podium”, sobretudo para um atleta que tornou-se o maior ídolo de seu país, consagrou-se como um dos maiores tenistas de todos os tempos: Roger Federer.
Ao perder para o norte americano James Blake por 4:6 e 6:7, Federer retira-se das Olimpíadas bem antes da final.
Os jornais de Lausanne lamentam que, nesse jogo, Roger não era nem a sombra do campeão mundial, que deu tantas alegrias ao torcedor suíço,.
Não podemos dizer que seja o declínio final de Federer, mas podemos garantir que sua invencibilidade foi profundamente abalada, desde o crescimento de Nadal nas quadras de toda espécie.
Essa rotatividade dos heróis esportivos é da natureza mesma do esporte, em qualquer de suas categorias, mas nunca nos dispensa nem dispensa seus protagonistas de uma certa amargura. No Brasil, quanto já sofremos com os problemas anatômicos de Guga, nossa Ferrari de Roland Garros, de quem esperávamos um tempo bem mais longo de atividade. Outro herói, saído diretamente da favela para a glória, tem um joelho e uma cabeça bem atrapalhados, o que o faz transitar com grande velocidade entre o melhor jogador do mundo e as mais desagradáveis manchetes locais. Mas Ronaldo será sempre um fenômeno, sem nunca perder a tristeza.
Ontem, porém, a tristeza foi apenas dos suíços.

enviada por Jorge da Cunha Lima



12/08/2008 15:41

O BRASIL MERECE SEDIAR AS OLIMPÍADAS?

É claro que todos desejamos que as olimpíadas de 2016 se realizem no Brasil. Sabemos o quanto uma olimpíada contribui para a transformação urbana das metrópoles ou cidades que as abrigam. Barcelona mudou radicalmente. Mais recentemente, Atenas sofreu grandes transformações urbanas para abrigar os jogos. A China não será a mesma depois destas olimpíadas. Assim, não tenho nenhuma dúvida de que o Rio de Janeiro acrescentará à bela natureza todas as obras de infra-estrutura necessárias à sua realização. Até mesmo porque os empreiteiros do Brasil não brincam em serviço.
O problema é outro. Olimpíada se faz com atletas. O que dá sentido à olimpíada é a capacidade de competir das delegações. Competir com lealdade, preparação física, atlética e mental. Assim sendo, mais do que preparar a infra-estrutura do evento, é preciso preparar os atletas. Desde Sidney a China sabia que haveria de hospedar os atletas olímpicos em 2008. Desde então, obstinadamente, prepararam seus atletas. O resultado está aí. A China disputando medalhas em quase todas as categorias.
Isso requer empenho. Um projeto nacional da sociedade, tanto do governo como da iniciativa privada. O Brasil até agora não vai bem nas olimpíadas porque ser atleta no Brasil é uma virtude heróica. A mãe de nossa judoca, medalha de bronze, primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha individual, narrou emocionada, na televisão, os sacrifícios de uma cabeleireira para que a filha pudesse comprar quimonos e freqüentar academias. E assim é com todos os nossos atletas, a exceção dos jogadores de futebol, volei e basquete. Os maratonistas trabalham o dia inteiro e treinam a noite, a partir de uma precária alimentação e atendimentos de fisioterapia. Não preciso insistir, apenas lembrar que um Thiago, depende dos recursos da família, hoje amenizados pelas campanhas publicitárias, pois tem uma bela aparência além do talento.
O Brasil não merece sediar as olimpíadas de 2016 se não adotar uma atitude capaz de mudar sua política esportiva e se não for capaz de produzir atletas representativos de nossas virtualidades. Não são as olimpíadas que produzem atletas, mas os atletas que dão sentido às olimpíadas.

enviada por Jorge da Cunha Lima



10/08/2008 23:24

O NOVO FILME DO JABOR

JABOR REMEMORA O RIO GLORIOSO DOS ANOS 60

Tive a felicidade, num exílio nacional ameno, de viver no Rio no começo dos anos 60. Eu e minha mulher, estávamos recém casados e fugindo da PM e da turma do Mackenzie, que nos considerava perigosos comunistas, para o Rio de Janeiro, que era lindo. Exilados de esquerda, com alguns recursos, para disfarçar fomos morar no Copacabana Palace, até mudarmos para Ipanema. Tínhamos amigos paulistas, emigrados por outras razões, o Hugo Celidônio, pioneiro dos restauradores de vanguarda e o Ricardo Amaral, perseguido pela CCC. No Rio tinha meus mais ilustres amigos, o Candido Mendes, o Cícero Sandroni, hoje presidente da Academia Brasileira de Letras, o Jabor, com o qual montei a Filmindústria e produzimos o OPINIAO PÙBLICA, o Cacá Diegues, o Antonio Calmon, o Serginho Bernardes, o Miguelzinho Faria e a grande pintora Tereza Simões Correa, casada com o Jabor. Incrível, conviver com um grupo desses. Todos egressos do CPC e de irradiante inteligência. Conseguiam, em pacto com o Rio de Janeiro, produzir a cidade mais alegre do mundo, apesar da ditadura. O aterro redesenhava a paisagem urbana, enquanto Lota se imolava em amores e sacrifícios políticos. Lacerda, em que pesem as divergência políticas, foi o maior governador que passou por ali, desde a vinda da família real. Ipanema regorgitava de canções e de esquinas onde passavam garotas de Ipanema e leõezinhos á Caetano Velloso. Ia-se a pé aos teatros e aos espetáculos de protesto.Carcará, Opinião, a editora de Fernando Gasparian, tudo se confundia com as curvas do violão de Nara Leão, para desenhar o novo coração de Copacabana. O Rio não era só Jobim e Vinicius, mas o que eles simbolizavam. “ Bicicletai meninas do Leblon” conclamava o poeta, siderado em coxas e mulheres gostosas.
Pois bem , 17 anos depois de seu ultimo filme, Jabor vai fazer um filme disso aí., desse Rio inesquecível. Já tem orçamento, caro, mas indispensável, cerca de 9 milhões. Já escolheu atores que vai convidar, um deles o melhor da nova geração, o Wagner Moura. Já tem idéia, roteiro e, como tudo que faz, prepara obra, prima entre os pares de outrora. Começa a filmar em novembro e eu já estou ansioso , pois só a memória sublimada em arte tem a devida consistência.

enviada por Jorge da Cunha Lima



10/08/2008 12:41

A CLASSE MÉDIA NÃO VAI AO PARAISO

A CLASSE MÉD9IA JÁ É MAIORIA NO bRASIL

Quando eu era criança havia em São Paulo uma respeitável classe média composta de profissionais liberais, de membros do poder judiciário, da política, do professorado, de médios comerciantes e pequenos industriais. Faziam parte da grande sociedade e, mais do que isso, imprimiam um caráter ético e intelectual à mesma. No centro da cidade conviviam com camadas da aristocracia paulistana, do café, da industria, do comércio e mesmo dos setores financeiros. O centro era uma espécie de território de convergência, pelo comércio, pelos equipamentos culturais e artísticos e pelos bares e casas de chá, muito em voga no período. jÁ na SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, o centro velho foi invadido por camadas populares, de imigrantes e de negros, sobretudo na rua Direita. A cidade pequeno burguesa mudou-se para o outro lado do viaduto, na Marconi e na Barão de Itapetininga, com seus bares, casas de chá, com o Mappin e o comercio fino. Mas o principal foi que uma parte dessa burguesia enriqueceu com a guerra e as oportunidades de comercio e produção industrial, seja com a poupança dos imigrantes, a fortuna dos quatrocentões e os capitais internacionais. A aristocracia se escondeu no país e na Europa
e a classe média ficou meio solitária, entre o proletariado emergente e os quatrocentões fugidios. Ate então essa classe havia produzido os artistas, os acórdãos judiciais, as grandes aulas na universidade e no ensino secundário impecável, os funcionários públicos de grande competência técnica e alta moralidade, os cientistas. Dessa classe médioa sairam de Mario de Andrade a Antonio Cândido.
Hoje, a classe media é apenas uma estatística balizada pelos índices de renda familiar. Perdeu o lugar e o brilho na sociedade, mas ainda desfruta de alguma capacidade de participar dos prazeres da metrópole.
Por isso mesmo, as estatísticas comemoram o fato de que a maioria das famílias brasileiras que atingiram um padrão salarial acima de mil reais por mês, entrou na gloriosa classe média. Entrou, mas entrou pelas portas do fundo. Receberam a carteirinha mas nenhum dos seus privilégios. Uma cidadã da periferia, nessas condições, e consultada por um jornal diário, afirmou que não estava muito orgulhosa de participar dessa classe média, porque nunca tinha a um cinema e não tinha condições de ir só porque o IBGE a tinha mudado de classe social.
Assim é que nem a classe media mais tradicional irá desaguar no paraíso e muito menos a classe média emergente, ali colocada por força dos números e não da evolução social.
O Brasil oferece reais oportunidades mas continua uma farsa.

enviada por Jorge da Cunha Lima



09/08/2008 19:15

INAUGURADO HOJE O MIS NA AVENIDA EUROPA

AS LIÇÕES DO NOVO MIS

Se há uma coisa que não precisa ter fronteiras é um museu. Assim, a abertura do muro entre o MIS e o MUBE, dotando São Paulo de um dos mais belos jardins do Jardim Europa já é um fato auspicioso.
Por outro lado um museu de imagem precisa ser capaz de registrar imagens, editá-las e guardá-las adequadamente. Museu de som também. Pois agora o MIS está bastante equipado para fazê-lo. Dispõe de equipamentos da “ Apple” de última geração, salas de projeção, de produção e montagem e espaços para seminários, porque a outra missão de um museu é promover a reflexão específica.
A nova arquitetura do MIS é de uma qualidade funcional. Os espaços maiores e mais adequados sem a perturbação da luz exterior. Lá pode-se promover tanto exposições como exibições de instalações eletrônicas. O auditório foi depurado de seu mau estado acústico e uma nova sala de projeções foi instalada. A Imprensa Oficial vai instalar sua livraria e só fica faltando um bar e um restaurante, já previstos no projeto arquitetônico. O MIS se recupera no momento em que todos os sonhos que sempre cercaram o museu encontra verbas, vontade política e boa gestão.
Muitas vezes penso que não basta um projeto cultural. São necessários projetos pontuais capazes de restaurar a dignidade dos espaços. Da mesma forma que não pode haver hospital degradado também não podemos abrir ou manter espaços culturais despidos de sentido e de equipamentos.
Felizmente na Avenida Europa se faz um prédio belo erespeitável que não seja destinado aos carros importados.

enviada por Jorge da Cunha Lima



08/08/2008 15:44

CHINA OLÍMPICA

OLIMPÍADA CIVILIZA.

Todo o mundo, por certo, se admirou com a abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Uma grandeza de harmonia e de ordem produzindo uma certa estética da organização. A opção pelo percurso histórico seria óbvia tendo em vista a monumentalidade de sua história. A China foi a maior nação do mundo há um milênio e conseguiu inventar quase todas as coisas que definiram o mundo moderno: o papel, a impressão, a pólvora e o uso do cobre.
Há uma crítica justa de que a China não apresenta a face mais democrática, deformada pelas perseguições, pelo Tibete e pelo aparato policial sempre disposto a surrar os adversários como fez com os jornalistas japoneses.
Há mesmo pessoas que consideram que a China não poderia patrocinar uma Olimpíada enquanto o país não se enquadrasse numa verdadeira democracia.
Isso é um exagero. Que nação estaria isenta de culpas democráticas para realizar uma olimpíada na plenitude da democracia? Por acaso os Estados Unidos de Guantânamo e do Iraque? Por acaso o Brasil da violência e da miséria consentidas? Por acaso o Irã das armadilhas atômicas? A Rússia, da Geórgia e da corrupção? A Itália, do Berlusconi e da discriminação racial?
Creio que qualquer nação que possa realizar uma olimpíada tem o direito de pleiteá-la, como o Brasil está pretendendo.
Uma olimpíada não se faz em países puros, mas ajuda a saneá-los, a torná-los mais fraternos e universais. No mínimo ajuda torná-los menos inconscientes. Até na Alemanha de Hitler, Goebels não conseguiu impor sua pérfida estratégia de marketing. Os negros americanos deslustraram as pretensões hegemônicas do atletismo alemão.
Uma Olimpíada civiliza. Civiliza os de dentro e os de fora.
A China que até bem pouco mais nos parecia um bairro chinês de São Francisco, hoje,e percebemos isso na transmissão ao vivo das Olimpíadas, se revela como grande potência, em vias de tornar-se a maior nação do mundo, demográfica e economicamente.

enviada por Jorge da Cunha Lima



07/08/2008 10:27

BRASIL; ENTRE O PROGRESSO E A CIVILIZAÇÃO

VAMOS SER UMA GRANDE POTÊNCIA

Quaisquer que sejam o sucessor de Lula e o sucessor do sucessor de Lula, o Brasil será uma grande potência em mais vinte anos.
A economia se estabiliza por conta das vacinas aplicadas por Fernando Henrique e dosadas pelo Lula. A boa conjuntura internacional dos últimos anos consolidou essa demarragem. A classe operária está virando classe média. Os produtos básicos que o mundo necessita, para comer e para funcionar, estão aqui.
MAS, não podemos confundir progresso com civilização. Uma grande potencia terá sempre soberania, expansão e poder. O progresso poderá garantir um razoável padrão de vida para a população. MAS, se isso for feito na base exclusiva do progresso, nada pode garantir de que haverá um equilíbrio interno e internacional. Sabemos como os poderosos confundem aliados com súditos em toda a geografia da política. Clovis Rossi tem tratado disso com muita sabedoria e até mesmo sem o rancor que ás vezes o invade.
Equilíbrio exige a mesma oportunidade de crescimento cultural. Se todas as camadas da população não puderem se educar com os mesmos utensílios pedagógicos, nunca haverá equilíbrio. Se os cidadãos, por serem pobres, baixinhos ou negros não tiverem as mesmas oportunidades de emprego e de empreendimento não haverá equilíbrio. Enquanto for melhor aplicar no overnight do que numa industria não haverá equilíbrio.Enquanto o lazer for privilégio de uma só camada, o desprazer da vida vai gerar um desequilíbrio insuportável. Enquanto não se respeitar os vizinhos do muro e da fronteira não haverá equilíbrio.
Tudo isso parece óbvio e acaciano, tanto que pode parecer um desperdício de blog. MAS, a enorme euforia produzida por esse pequeno avanço do Brasil, sem que as grandes injustiças sejam minimamente corrigidas e as pequenas oportunidades sejam minimamente concedidas, no máximo nos poderá levar a ser uma nação rica. E, de riquezas mal conduzidas nós já estamos fartos. Basta avaliar os EUA de Bush.



enviada por Jorge da Cunha Lima



05/08/2008 18:22

SILVIO LUIZ BRESSER PEREIRA

O DOM DA VIDA

Silvio e Luiz Carlos são os amigos mais antigos que a longevidade me proporcionou. Quando éramos bem jovens lancei meu primeiro livro de poesia e pedi que os compradores fizessem declarações num livro para os convidados. Num arroubo adolescente Silvio escreveu: Ao Jorge, amigo que eu admiro e invejo. Pois hoje, em seu velório, face ao semblante tranqüilo de um renascentista do século XVI, posso afirmar com segurança: é o Silvio o amigo que todos admiramos e invejamos, não eu.
Silvio tinha o dom da família. Enquanto grande parte da humanidade se encarrega de desunir o que é inseparável, Silvio sempre se encarregou de unir as coisas divididas. Teve duas vertentes de família e unificou-as numa única. Sua morte é um inventario de harmonias.
Silvio tinha o dom da vida. E vida quer dizer: se expressar e se alegrar.
Desde cedo, enquanto seu irmão indagava, como um bom socrático, ele afirmava. Sabia tudo que estava a seu alcance, até administrar um jornal com 18 anos de idade. Não foi a toa que ajudou o Abílio, seu melhor amigo da FGV, a criar um império. E, quase ao fim, foi até banqueiro. Mas sabia ajudar os amigos, nas crises humanas e políticas. Sabia tudo de política, de economia e até dessa tecnologia quântica que nos auréola o vazio da inteligência.
Desde cedo, sabia aproveitar a vida. Seu, então, quase sogro argumentava em silêncio: é um socialistinha de MG conversível. Gostava da vida. Inaugurou a primeira sauna nos trópicos. Sempre desenhou na agenda algumas orlas náuticas e mesmo, uma quinzena antes de morrer mergulhou nas orlas do Adriático. Gostava sim de viajar: inventou uma estação de ski brasileira em pleno EUA: Aspen. Gostava de música a ponto de promover audições quinzenais de música clássica, sob orientação e aulas do JJ Moraes, seu amigo antigo. Nunca fez nada disso sozinho. Sua família e seus amigos que o digam. 60% dos suchi que comi na vida foram em sua casa.
Até o fim soube respeitar a morte. Durante os nove anos em que o mal se acomodou em seu corpo, o bem iluminou seu espírito. Nunca reclamou de nada, mas conquistou cada minuto de vida. Quando todos o imaginavam por terra, se alçava com alguns recados de coragem. Fez a descida heróica e penosa de uma escada íngreme para proporcionar à filha um casamento inteiro. Quem não se lembra?
Por isso estava tão sereno em seu leito de morte, antes de incendiar-se na eternidade. Por isso nos dá inveja. Inveja da vida.


enviada por Jorge da Cunha Lima



04/08/2008 13:00

GILBERTO GIL E GERALD THOMAS

O SAGRADO DIREITO DE ELOGIAR

Gerald Thomas, colega de Blog no IG, buscou desqualificar meu Blog sobre o carisma e a competência de Gilberto Gil. Utilizou-se, para tanto, de uma dialética vulgar, desmoralizar o interlocutor para desqualificar suas idéias. Pelo fato de eu estar sorrindo e de gravata identificou-me como um bancário ou um dentista, profissões que ele deve considerar as mais reles, no mundo do trabalho. De fato não tenho a expressão pungente de um John Lenon nos trópicos, guardo a cara que Deus me deu. Gerald diz não me conhecer,o que não é difícil, mas afirma categoricamente que não sou artista, apesar do Curriculum, ao lado do blog , enunciar todas as minhas publicações como poeta e romancista.
Gerald Thomas é conhecido, tem algumas produções de notável criatividade e imaginação além de uma grande capacidade mediática de vender seu peixe aos fazedores de opinião.
Pena que tudo o que critica em Gilberto Gil seria apenas a desconsideração do ministro para com o teatro em geral e o seu teatro em particular, defendendo uma corporação, dentro do imenso painel de atividades que o MINC envolve. O que Gil tentou foi uma revisão da Lei Rouanet para que sua verba, paga pela população, seja encaminhada no interesse cultural da mesma e não de empresas do setor privado. E todo mundo acha que aquela lei deve ser revista.
Gil é um grande artista, dentro e fora dos palcos. Os que me atacaram no blog aberto e democrático, realmente me conhecem pouco. Nunca fui puxa saco de Lula nem de ninguém, por isso mesmo minha vida pública nunca foi muito fácil. Fui um dos inspiradores da criação do PSDB, com Montoro, mas deixei a militância política desde que tornei-me dirigente de meio de comunicação, pois não acho compatível exercer simultaneamente os dois púlpitos. Nenhum interesse pessoal prevalecerá jamais sobre minha ética. Emitir opinião favorável a Gilberto Gil é um livre exercício de minha convicção como de minha liberdade de expressão. Os insultos, os rancores ideológicos e os preconceitos sociais não me impedirão de aplaudir o Gil, tanto na vida pública quanto na vida artística.


enviada por Jorge da Cunha Lima



03/08/2008 21:12

VIVA BELÉM

O GRÃO PARÁ

É sempre empolgante uma visita a Belém. Aquela baia de mar em pleno rio. Uma cidade que cheira um passado resplandecente. Uma cultura local que insiste em ser universal. Uma gastronomia forte. Creio que no Brasil há três gastronomias locais relevantes: em Minas, na Bahia e no Pará. O resto são comidas, muito boas mas comidas, nem sempre nossas. O Pará tem danças que nos foram servidas. Uma delas, o lundum, é uma dança erótica, de tal sensualidade que foi proibida solenemente pela santa inquisição no começo do século XIX. Nela, dançando, os homens tem que seduzir as mulheres e vice versa. O requebrado recíproco foi a primeira exigência na historia feminista de um país machista.
Belém teve belos projetos culturais realizados pelo governo tucano, as docas, o hangar, as garças. Tem uma TV pública corajosa, recuperada pelo governo petista, que recuperou da Liberal seus transmissores no distante interior de seus municípios, e multiplicou a potência de seu transmissor central.
Sem falar da Fundação Goeldi, antiga, tradicional e sempre atualizada, temos o Bosque Rodrigues Alves, um pedaço inteiro da mata amazônica, cercado em pleno perímetro urbano, em uma de suas avenidas principais. O bosque é pura floresta, mas não deixa de mostrar o espírito colonialista que sempre nos dominou, foi concebido por Rodrigues Alves, como um novo Bois de Boulogne, do qual imitou apenas uns quiosques, uns coretos e uns laguinhos artificiais. Mas, apesar da inspiração o bosque é maravilhoso. Lá a gente vê de perto a atrocidade de alguns monstros do progresso, detentores de serras elétricas e tratores gigantes, derrubando árvores de 45 metros de altura.
Há também uma cidade abandonada dentro da cidade inteligente. Logo atrás das Docas, a cidade antiga tem azulejos despencando das paredes, ruas sujas e construções novas horríveis. As avenidas são bonitas e largas, mas as construções relaxadas. Olhando a cidade do alto de um mirante, local onde se preservam garças, poderíamos dizer que uma dúzia das grandes empresas que exploram riquezas no Pará, poderiam criar um “ Viva Belém” e recuperar a cidade. Falta pouco, mas sem esse pouco a erosão urbana será inevitável.


enviada por Jorge da Cunha Lima



01/08/2008 15:52

AINDA O NOVO FORUM DAS TV PÚBLICAS

De fato foi aprovada na Assembléia da ABEPEC moção autorizando a diretoria pleitear a realização nacional de um Novo forum da TV Pública. Quem votou a proposta foram os associados da ABEPEC, por unanimidade, e não as pessoas presentes, como afirmei ontem. Tereza Crivinel esteve na sessão que aprovou o projeto e não foi subscritora pessoal do mesmo, apenas aquiesceu com o decidido.
Foi também aprovada moção apoiando a Conferência de Televisão a ser realizada na Bahia. Ficou claro que nenhuma dessas reuniões deverá ter carater de revisão da politica de comunicação do governo, consumada com a criação da EBC.
A próxima Assembléia da ABEPEC será realizada em novembro em Santa Catarina.
:encia
enviada por Jorge da Cunha Lima



31/07/2008 20:21

TELEVISÕES PÚBLICAS QUEREM UM NOVO FORUM


O ENCONTRO DA ABEPEC EM BELÉM

Vinte e uma televisões públicas reunidas em Belém, no XXVII encontro da Associação Brasileira de Televisões Educativas proclamaram a necessidade da realização de um novo Fórum de Televisões do campo público. Embora reconhecendo que a Lei que criou a TV Brasil definiu e regulamentou o que é TV Pública no âmbito Federal, as televisões abertas estaduais continuam sem um marco regulatório que as coloque definitivamente no contexto das públicas. Isso quer dizer, mais independência, agilidade administrativa e melhores condições produtivas. Tanto os representantes da televisão federal, quanto os
das televisões estaduais decidiram que a maior luta do segmento é a conquista de um marco regulatório a ser definido no próximo Fórum. Para o Ministério das Comunicações as públicas ainda são regidas pelo decreto da ditadura, de 1967, como se não existisse a Constituição de 88 e outras decisões, como as leis de incentivo, que mudaram completamente a leitura do que é televisão e portanto, do que é televisão pública. Mas, para evitar formalismos jurídicos, a ABEPEC reivindica uma lei clara, sobretudo tendo em vista a mudança completa de paradigmas no setor da comunicação no Brasil e em todo o mundo. Paulo Markun, Teresa Cruvinel e Regina Lima, a anfitriã, participaram do Fórum e subscreveram a proposta de imediata realização de um novo Fórum.

enviada por Jorge da Cunha Lima



31/07/2008 00:06

O MINISTRO GIL: CARISMA E COMPETÊNCIA

UMA BOA PASSAGEM NO MINC

Quando Gilberto Gil foi escolhido Ministro da Cultura do governo Lula eu fui dos poucos jornalistas que elogiaram a escolha. O Ministério precisava de criatividade, de uma fala nova, para sacudir a burocracia e administrar os tostões. Além disso, Gil tinha alguma experiência na área e era um administrador formado. Nunca lhe deram o dinheiro que o ministério necessitava, mas assim mesmo, Gil foi um excelente ministro. Tinha o carisma que o sucesso ajudava a espalhar. Teve equipes com diversas faces, mas foi capaz de harmonizá-las. No que acompanhei de perto, a área da comunicação, Gil foi impecável. Antenou rapidamente com as televisões públicas. Anunciou, patrocinou e liderou sua melhor iniciativa: o “ Foro Nacional das Televisões Públicas", cujo resultado propiciou que a TV Brasil, criada por Lula, se constituísse no primeiro marco regulatório da Televisão Pública nacional. Além do mais, o Foro criou todos os parâmetros para
a renovação da televisão pública no Brasil. Gil conceituou em seus discursos escritos sua concepção sobre as várias atividades do Ministério, mas dava liberdade a seus dirigentes para que tocassem e aperfeiçoassem os projetos. Seu prestigio era nacional. Deixou um ministério ajustado e teve até a competência de produzir um sucessor, o Juca.
Felizmente, durante o seu mandato, não engessou o artista. Na medida do possível realizou shows e espetáculos indispensáveis à manutenção de seu ethos criativo.

enviada por Jorge da Cunha Lima



28/07/2008 22:40

O ARQUITETO

A MORTE DE JOAQUM GUEDES

Joaquim Guedes morreu atropelado em frente à sua casa, na Av. Nove de Julho, por um carro negro e fantasma, cujo motorista, covarde, evadiu-se pela noite, sem qualquer gesto de socorro. Não é difícil morrer assim nesta cidade egoísta, que Guedes pensou a vida inteira, e a seu modo, amou.
O Guedes era assim: ele amava com a inteligência. Sem um pensamento que desse razão à emoção, o Guedes não se sentiria a vontade. Por isso mesmo discutia tanto, brigava tanto. Não eram brigas de rancor, mas estágios de reflexão. Guedes me lembrava sempre um compasso.
Conheci-o em pleno exercício da cidadania, projetando o mundo. Tinha um plano para Brasília, outro para a mineradora, outro para São Paulo. Era então um pequeno gênio precoce. Quando projetou a casa do meu irmão parecia um botânico, de tal forma a fôrma era de árvore. Quando projetou a minha para a Segunda Madrugada, em Campos do Jordão, esquadrinhava cores, qual um Mondrian de araucárias.
As coisas mais bonitas que fez, foram casas de tijolos, aparentes como o barro. E o barro é a única previsão religiosa do homem.
Além disso, o Guedes desenhou muitas palavras. Foi um exímio escritor. O prefácio do Eupalinos, de Paul Valéry, é de tirar o fôlego e os andaimes. Nos deixa soltos no ar, mas bem conscientes da gravidade.
Seu mergulho em Gaudi, ao contrário, deduz um por um os arabescos da sobriedade.
Daqui a pouco, o arquiteto, professor, presidente do IAB, candidato a vereador, em plena maturidade humana e profissional, será enterrado em São Paulo, no Araçá. Não projetou todas as obras que desejava nem morreu em paz, mas deixou em seu rasto um linha de grandeza. A linha do arquiteto.

enviada por Jorge da Cunha Lima



27/07/2008 22:36

FESTIVAL NONA SINFONIA DE BEETHOVEN




enviada por Jorge da Cunha Lima






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Perfil

Jorge da Cunha Lima

POETA, publicou "Ensaio Geral" Martins Editora, "Mão de Obra" Brasiliense, "Véspera de Aquarius" Paz e Terra,

PROSADOR, fez "O Jovem K" romance, Siciliano, "Cultura Pública"artigos, Senac.

SECRETARIO DA CULTURA criou as Oficinas Culturais tombou a Serra do Mar coordenou a Campanha das Diretas.

PRESIDENTE DA GAZETA criou a TV MIX.

PRESIDENTE DA TV CULTURA lançou o Jornalismo Público lançou o Cocóricó lançou a Ilha Ra Tim Bum

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